Capítulo 1: Star Wars - Faces da Sombra
Mais de 300 anos se passaram desde que Rey Skywalker e os Rebeldes derrotaram o Imperador Palpatine. Desde então, a paz reinou absoluta, a Galáxia se organizou e uma Nova República se reergueu com sede em Coruscant. A aliança com vários planetas foi feita, a chamada Aliança Galáctica. Também foi criado um novo conselho Jedi, no qual cinco anciões tomam decisões para orientar de melhor maneira os Jedi da Galáxia. Essa organização levou à criação de clãs, nos quais o conhecimento e técnicas de grandes Jedi são ensinados e passados; assim novos guerreiros surgiram. Os novos Jedi servem à Nova República, e regras foram estabelecidas pelos Anciãos a fim de controlar possíveis flertes com o lado sombrio. Porém, o planeta Castilon da aliança sofreu um ataque em uma de suas bases. Acusações de vários lados foram feitas; com isso, a aliança começou a ser comprometida. Com o intuito de acalmar os ânimos, a senadora Saelune, que preside a atual aliança, organizou uma reunião de emergência com as principais representantes de cada planeta.
Nos tempos atuais no planeta Coruscant...
Liora Qel’Tor acorda em seu dormitório, porém está atrasada; algo aconteceu com seu despertador. Hoje é um dia especial; sua Tenente a indicou para ser a Jedi que irá acompanhar a Senadora Saelune em uma viagem oficial. A Jedi tem extrema confiança em sua tenente e vice-versa, por isso não quer decepcioná-la Veste seu uniforme branco, coloca o colar dado pelo seu pai, pega seu sabre de luz e blaster e sai apressada para a espaçonave. Durante o caminho da grande base militar da Nova República, outros soldados e Jedi a cumprimentam pela indicação.
A senadora Saelune e a tenente Varenne andam em direção a uma pequena fragata espacial Geminis, que irá levar a senadora para a reunião de emergência da aliança. No caminho, as duas oficiais conversam e a tenente explica:
— Senado, selecionei a melhor equipe para acompanhá-la, inclusive a Jedi Liora, nossa melhor pilota, embora hoje ela vá fazer sua proteção.
Saelune está com expressão séria, porém sorri e responde:
— Obrigado, tenente Varenne, essa viagem é muito importante para mantermos o acordo de paz entre os planetas.
Ambos chegam à porta da nave, que se abre; são recebidos pela Jedi Liora. Ela é uma Jedi extremamente aplicada que segue rigorosamente as regras, também é uma das maiores pilotos da frota. Liora bate continência para a senadora e a recebe:
— Seja bem-vinda, senadora Saelune.
A senadora sorri e responde:
— Então, você é a famosa Jedi que a Tenente falou?
A Jedi sorri e agradece:
— Só tenho que agradecer pela honra, senadora e tenente Agora posso levá-la a conhecer seus aposentos?
Saelune confirma com a cabeça, a tenente olha com orgulho para Liora, que orienta Saelune até o quarto. A tenente fica na pista da base e a porta se fecha. Ao passar por alguns tripulantes, a senadora os cumprimenta. A espaçonave é uma fragata de médio porte, nela a porta volta de 64 tripulantes. Liora é a única Jadi ali. A senadora e Jedi chegam na porta do quarto e Liora explica:
— Esse é seu quarto, senadora Saelune. A viagem é de 18 horas até Coruscant, pois vamos passar por áreas com asteroides e planetas fora da Aliança. Caso precise de alguma coisa, senadora, é só apertar o botão que está ao lado de sua poltrona.
A senadora abre a porta e sorri:
— Obrigada, Liora, agora só quero descansar um pouco mesmo.
A Jedi se despede:
— É claro, vou me retirar.
A Jedi dá de ombros e vai até outra porta; e nela estão dois andróides soldados que fazem a guarda. Nessa época, os soldados são todos andróides controlados via centro de comunicações espalhadas pela galáxia. Em combate terrestre, só é permitido andróides; apenas combates aéreos são permitido seres vivos e Jedis.
Liora anda em direção até a cabine do piloto. Nessepermitidos a momento, a nave decola e a tenente observa pela cabine da base de comando, e dá a ordem a todos os cinco que estão ali:
— Monitores, por favor, não tirem os olhos dessa nave.
Todos respondem:
— Sim, senhora!
Liora entra na cabine do piloto e ele diz:
— Olha quem está aí! A Jedi escolhida para ser a guardiã do Senador!
Ela senta em uma poltrona ali e responde ao piloto:
— Deixa de ser bobo, Jirok, acho que foi sorte...
Jirok responde:
— Não, você é a melhor pilota da base, a mais disciplinada, e a tenente confia em você.
Liora fala, sorrindo:
— Tá, tá, chega desse papo, agora vou revisar o trajeto para que não tenhamos surpresas...
Jirok sorri e questiona:
— De novo? Você já viu isso umas vinte vezes...
Liora não responde e foca em seu trabalho; as horas passam e quase metade do percurso é feita. Agora a nave está em uma zona onde planetas estão fora das jurisdições da aliança, pois ainda não foi chegado a uma decisão sobre quem comandaria esses planetas. Liora estranha a senadora não a chamar e informa a Jirok:
— Vou lavar meu rosto e ver como está a senadora.
Jirok confirma com a cabeça e a Jedi sai da sala e entra no banheiro, a porta se fecha e Liora dá a ordem de acionamento da torneira e começa a lavar o rosto. Com. A o rosto ainda molhado, olha para o espelho e se sente orgulhosa por tudo que está acontecendo, porém a Jedi tem a sensação de um leve tremor, fica imóvel por alguns segundos achando isso estranho, mas agora sente uma vibração maior e presente que a algo de errado. Enxuga as mãos no secador de mãos e se dirige para abrir a porta, porém, ao aproximar os dedos no botão, sente um forte tremor e uma grande explosão acontece. A força é tão grande que a porta é empurrada e acerta a cabeça de Liora. Com o impacto, a Jedi perde a consciência.
Aos poucos a Jedi começa a se recuperar, mas sua cabeça dói, os olhos estão embaçados, está deitada e o céu está escuro como noite. A porta está em cima de suas pernas, olhando para os lados parece que existem escombros e fogo por todos os lados. Liora está desorientada e não entende o que está acontecendo, sua visão fica embaçada ainda mais. Ela escuta disparos de blaster e percebe dois andróides vindo em sua direção. As luzes dos seus olhos estão vermelhas e isso chama a sua atenção, mas está fraca e a ferida na cabeça dói muito. Ao se aproximarem, os androides param perante Liora, ela fica ainda mais zonza e tem a impressão de que os androides apontam os blasters para ela, porém atrás deles tem uma sombra coberta por um longo capuz. Dessa sombra surge o que parece ser um sabre de luz que, ao descer, divide os dois androides sentinelas. Após essa visão desfocada, perde a consciência por completo.
Enquanto isso, no planeta Naboo...
O tenente Kier está em sua sala no último andar da torre de comando, fala com alguém oculto pela comunicação. Nesse momento, a porta dupla se abre, deslizando, e dois indivíduos entram, acompanhados por dois andróides. O tenente faz um sinal com a mão para os andróides e ambos saem da sala. Kier fala:
— Eles acabaram de chegar...
Os dois indivíduos usam capas que quase ocultam seus rostos. O tenente finaliza a ligação:
— Ok.
Ele desliga a conexão e olha para os dois parados em sua frente e fala:
— Fiquei sabendo que a missão foi quase um sucesso, porém uma Jedi está desaparecida? Sabem alguma coisa sobre?
O mais alto remove o capuz e é possível ver que é da espécie Lyranth, do pequeno planeta Torvanna. Possui uma espécie de juba branca, todo coberto por uma pelagem branca. A espécie geralmente é de guerreiros fortes e brutais, semelhantes a um felino. Torvanna foi um dos planetas que apoiaram o Império quando Palpatine deu o golpe; devido a isso, nos tempos atuais o planeta sofre embargos da Aliança Galáctica. O mercenário se chama Krylos, é um dos maiores guerreiros mercenários de seu planeta, e ao seu lado está a também mercenária Kallira, uma excelente atiradora de elite. Krylos, com expressão fechada, responde:
— Tudo está ocorrendo conforme o combinado. Já coloquei uma mercenária para investigar; caso a Jedi esteja viva, será eliminada. Mudando de assunto, tenho isso para te entregar...
Krylos tira uma pedra vermelha de um compartimento de seu uniforme, semelhante a um diamante, e a coloca na mesa de Kier, que fala:
— Depois de anos, achamos o primeiro cristal; agora falta apenas um...
O tenente pega o cristal, se levanta e anda com ele até uma janela. O tenente está o admirando e diz de forma sorridente:
— Isso é incrível, logo logo vamos completar nossa missão.
Voltando ao planeta Numec...
Liora começa a acordar e percebe uma faixa na cabeça e na perna direita. Aos poucos, as memórias se organizam. Olhando em volta, percebe que está em uma espécie de casa com paredes que parecem que foram feitas de barro. O lugar tem janelas circulares e é bem iluminado; é possível perceber que está de dia. Mesmo confusa, Liora lembra que viu alguém acionar um sabre de luz vermelho. Um Jedi só pode empunhar um sabre branco; se for de outra cor, pode ser expulso de seu clã. Caso o sabre seja vermelho, será preso e interrogado. Os sábios do conselho Jedi classificaram o sabre de luz vermelho como sabre de Sith. Devido a essa possibilidade, Liora levanta rapidamente, olhando em volta, e percebe que tem um indivíduo sentado em uma espécie de banco a 3 metros. Ele está usando uma capa escura, sendo impossível ver seu rosto; aparentemente está se alimentando, comendo algum tipo de ensopado. A Jedi percebe que seu sabre e blaster estão em cima de uma mesa que está entre os dois, mas não vê seu comunicador. A Jedi usa seu poder e faz com que o blaster flutue até sua mão; ela o pega e aponta para o indivíduo e ordena em voz alta:
— Parado, largue isso! Eu vi que você possui um sabre vermelho...
O indivíduo fica imóvel por alguns segundos, porém não se importa e continua tomando seu ensopado. Liora se aproxima, porém mantendo a mesma distância, e decide falar novamente:
— Você não ouviu o que eu...
Porém, ao tentar terminar a frase, sente-se fraca e a cabeça lateja de dor, e Jade não aguenta e perde os sentidos novamente. O indivíduo misterioso fica imóvel novamente por alguns segundos e balança a cabeça negativamente, mas volta a tomar o ensopado.
Liora sonha e vê muitos livros em prateleiras. Também é possível ver uma energia azul clara ao longe. Ela tenta correr para ela, porém surge uma energia vermelha e negra, e a assusta. Com isso, a Jedi acorda assustada, ficando sentada. Ao olhar em volta, percebe que está na casa feita de barro. Ela se levanta zonza e anda em direção a um vão de porta. Ao chegar, vê a pessoa misteriosa pegando espécies de frutas e as colocando em caixas. Depois pega caixas e as empilha.
A Jedi sente medo, olha para trás e vê novamente seu blaster e sabre de luz, vai até a arma, a pega, volta e aponta o blaster para o indivíduo e fala com a voz fraca:
— Parado, largue essa... caixa...
Novamente começa a ficar fraca e olha para o chão, coloca a mão nos joelhos e larga o blaster, porém, uma fruta bate em seu pé e o indivíduo continua empilhando caixa e fala:
— Coma, pois não vou te carregar novamente...
Liora, houve isso. Pega a fruta e senta no chão com a blaster ao seu lado. A Jedi come a fruta com veracidade, parece que faz dias que não se alimenta. Ela vê outra fruta do lado direito, a pega e a come rapidamente. Enquanto come, observa o indivíduo, sente suas forças voltando e questiona:
— Sou uma Jedi da Nova República! E você, quem é?
O indivíduo comenta de forma irônica, mesmo empilhando as caixas:
— Jedi? Jedi que escolhe uma blaster em vez de sabre?
Liora fica pensativa, observa seu sabre de luz sobre a mesa. Nesse momento, o indivíduo misterioso termina de empilhar as caixas e anda em direção a outro cômodo e avisa:
— Pegue suas coisas e vá embora!
A Jedi fica incomodada com o comentário, pega o blaster e se levanta e o segue. Ao chegar na outra sala, o indivíduo está limpando outras frutas e a Jedi questiona:
— Você sabe o que aconteceu comigo? Onde está meu comunicador? Eu estava em uma nave com a senadora e...
Nesse momento, o indivíduo a interrompe falando, mas sem parar de limpar as frutas:
— Não sobreviveu ninguém, apenas você...
Alguns pensamentos da explosão surgem e confundem Liora; ela questiona:
— É mentira, você deve ter me sequestrado...
A Jedi aponta a blaster novamente para o indivíduo e questiona novamente:
— Você é um Sith?
O indivíduo fica de pé, para de limpar as frutas e responde de costas com uma voz que demonstra irritação:
— Eu não sou um Sith!
O homem misterioso se vira, está com uma capa que cobre seu corpo e capuz que esconde a cabeça, porém é possível ver o rosto humano. Liora fica espantada; o lado esquerdo do rosto aparenta ser robótico, como se fosse meio humano, meio android. O olho direito é normal, de um ser humano, mas, do lado robótico, seu olho é biônico e vermelho, feito de uma espécie de vidro, e emite uma tênue fumaça da mesma cor. Seu nome é Kairon. Assustada, Liora dá alguns passos para trás, procura o comunicador em seu traje, aponta o blaster e pergunta:
— Quem é você? Onde está meu comunicador?
Kairon vai responder sobre o comunicador, pois o objeto não estava com Liora, mas sentiu algo e comenta:
— Alguém está chegando...
É possível escutar o som de nave se aproximando e pousando. Liora e Kairon ainda estão parados, porém escutam uma voz falar de forma amplificada:
— Aqui é o Sargento Rolph. Se tem moradores nesta casa, saiam! Atenção, aqui é o Sargento Rolph. Se tem moradores nesta casa, saiam!
Do lado de fora da casa, está o Sargento Rolph, que, de cada lado, está acompanhado de dois andróides armados com blasters de alta potência. Do lado de dentro da casa, Liora escuta o aviso, coloca o blaster sobre uma pequena mesa e sai correndo para fora da casa. Ao se aproximar da porta, diminui a velocidade e anda vagarosamente. Do lado de fora, o sargento vê aquela pessoa que acena com a mão esquerda. Ao ver isso, anda em direção à pessoa; os androides o acompanham. Liora bate continência e diz em voz alta:
— Soldado Liora se apresentando, senhor!
Ao escutar isso, o sargento aperta o comunicador de pulso e fala para o administrador da central (central é onde os androides são gerenciados):
— Achei ela, pode desligar a gravação de imagens dos Androids, grave apenas o meu áudio.
Ao andar, o Sargento e os andróides pisam na plantação de moimar (espécie de maçã verde) de Kairon. Faltando dois metros todos param e o Sargento ordena em voz alta:
—metros, Solte esse blaster!
Liora sai da posição de sentido e fica confusa:
— Senhor, não estou armada!
O sargento novamente fala pelo comunicador:
— Ative a Ordem 66.
Nesse momento, os olhos circulares dos androides, que são azuis, ficam vermelhos. O sargento novamente fala em tom mais grave:
— Solte o blaster, soldado Liora.
Nesse momento, os androides apontam o blaster para Liora. Ela não entende o que está acontecendo e diz com tom assustada:
— Senhor, eu não estou armada, sou a soldado Liora, sou a Jedi da...
Mas, antes que terminasse, o Sargento Rolph se vira e anda em direção de sua nave. No caminho, fala por meio do comunicador:
— Executa!
Os androides miram em Liora e atiram. Como um reflexo de susto, a Jedi coloca as mãos no rosto para tentar se proteger e se abaixa. Aquilo era impossível de acreditar. Em segundos, Liora pensa no que fez de errado para ser atacada, mas algo acontece: a Jedi não sente nada a atingi-la. Vagarosamente, abre os olhos, tira as mãos do rosto e fica espantada com aquilo que vê. O sargento continua andando vagarosamente, porém algo o faz olhar para trás e o faz parar. Ele se vira e não acredita no que vê, seu rosto fica pálido. Todos os feixes de energia disparados pelos androides estão imobilizados no ar, como se estivessem sendo bloqueados por algo. O sargento Rolph não acredita no que vê. Liora se levanta e os feixes estão a poucos centímetros de acertá-la e comenta, quase com a voz não saindo:
— Como?
O sargento repara que, na lateral esquerda da casa, está uma pessoa encapuzada com a mão direita estendida na direção dos feixes; com isso, Rolph leva a crer que ele está os segurando. Kairon segura os feixes para não atingir Liora. Ela olha para Kairon e o encapuzado fecha a mão vagarosamente e a abre rapidamente. Ao fazer isso, os feixes se movem na direção dos androides, os destruindo.
O sargento Rolph pega o comunicador e pergunta:
— Tem algum relato de Sifi pela região?
O central responde:
— Negativo, senhor, não há relatos.
Kairon abaixa a mão, olha para suas plantações e percebe que várias frutas foram pisoteadas pelos Androids. Ele se abaixa e pega uma fruta destruída e balança a cabeça negativamente. Liora observa e percebe que Kairon está realmente sentido pela destruição. Porém, o sargento Rolph, devido ao que acabou de ver, dá a ordem:
— Liberem todos os androides de combate com sabre de luz!
Nesse momento, a nave aciona o elevador central e um mecanismo desembarca todos os Androids. Olhos vermelhos são acionados. Kairon observa e, mesmo agachado, grita com sua voz rouca:
— Não pise na minha plantação!
O sargento se vira ao ouvir e sente um certo medo, porém vira-se para seus androides e ordena:
— Mate aquela aberração e depois a Jedi!
Do braço esquerdo dos Androids surgem sabres de luz brancos Ao ver os sabres com os androides, Kairon se levanta com semblante sério e comenta de forma baixa:
— Isso é uma ofensa para uma arma tão nobre.
O sargento Rolph ordena:
— Matem aquela aberração e depois a Jedi!
Os oito androides andam em direção a Karon. Liora, vendo isso, reflete:
— Isso é um absurdo, um androide com sabre é um oponente de nível superior. Por que isso está acontecendo?
Liora ergue as mãos e as balança, tentando chamar a atenção do sargento, e grita:
— Ele é apenas um fazendeiro, não o ataquem! Por favor!
Os androides pisam na plantação de Karion. Ele, na mão direita, utiliza uma luva, que deixa seus dedos de fora, e, nas costas da luva, está cravada uma pedra azul circular que começa a brilhar. Ele olha para a pedra, balança a cabeça negativamente e grita:
— Não pise na minha plantação!
Karion segura a capa que cobre seu corpo, puxa-a e a joga para o lado; em seguida, remove o capuz de sua cabeça e também o lança. Agora é possível ver, e todos veem, que ele traja uma roupa preta. É possível ver seu braço esquerdo mecânico, que começa no ombro e, em vez de uma mão, tem uma espécie de três garras. Seu braço direito é normal de um ser humano; ele o ergue, abre a mão e se concentra. De repente, a parede de barro seco estoura e algo voa para a mão de Kairon. Ele pega o objeto e desce seu braço. Ele segura o cabo de um sabre de luz, cabo que é um pouco curvado. Kairon aciona o dispositivo e o sabre vermelho surge. Liora e o sargento ficam espantados e Rolph comenta de forma baixa:
— Não acredito, é um Sifi.
Por se tratar de um sabre vermelho, a programação dos androides é acionada e todos correm em direção a Kairon para atacá-lo. Ele coloca seu braço esquerdo para trás da cintura; o braço fica travado, pois em combate utiliza apenas o braço direito. Dois andróides o atacam, porém Karion repele os ataques com seu sabre, sabres se cruzam e Karion se defende. Com muita agilidade, ele ataca dois andróides, um terceiro andróide surge para acertá-lo, mas Kairon se esquiva e corta as duas pernas de um dos andróides, que cai. Com outro movimento rápido, a cabeça do outro andróide é dividida ao meio. Liora nunca havia visto alguém tão rápido quanto Kairon, e se surpreende quando mais um andróide é dividido ao meio. Com apenas um braço, Kairon troca ataques de sabres com três andróides ao mesmo tempo. Com sincronismo, os andróides atacam juntos e com o mesmo movimento, porém Kairon faz um movimento de salto tão rápido para esquivar-se do ataque dos três que praticamente pisca, surgindo no ar. Com isso, os andróides se acertam e se destroem. Nos registros daqueles máquinas não havia dados de movimentos tão rápidos, agora restam apenas dois.
Um dos androides tenta atacar. Kairon joga seu sabre para cima, com um movimento com a mão aberta faz seu inimigo voar para longe, caindo próximo do sargento. Outro inimigo faz um ataque de cima para baixo com o sabre, mas Kairon pega seu sabre que cai no exato momento, defende com o sabre, deixando-o na horizontal, rapidamente desfere um contragolpe que corta os dois braços de seu oponente. Ao fazê-lo, o braço voa para cima segurando o sabre e, ao descer, Kairon o pega, olha para o sabre e comenta de forma baixa na frente do androide, que fica imobilizado:
— Um sabre artificial? Isso é uma ofensa à força.
Logo após falar isso, Kairon solta o braço do andróide e atravessa seu sabre na cabeça do oponente, da garganta cibernética até o crânio. O adversário cai. O andróide que caiu próximo ao sargento se levanta, corre na direção de Kairon e salta para desferir um ataque poderoso. Nesse tempo, o sargento se vira, sai rapidamente para sua nave, pois percebe que está com problemas. O andróide não chega até Kairon, pois flutua devido ao poder da força. O guerreiro está com o braço estendido e com a palma da mão apontada para seu inimigo. Utilizando o poder da força, ele o segura no ar e, ao fechar a mão, amassa todo o andróide, que explode. Ao olhar em volta, todos os andróides estão destruídos ou danificados. Um andróide que está no chão estende a mão em direção a Kairon, que, ao perceber, atravessa seu sabre no olho cibernético da máquina, que a desativa.
A aeronave que está próxima aciona seus propulsores e começa a levantar voo. Dentro da nave, o sargento Rolph senta ao lado de seu piloto e ordena:
— Vamos sair logo daqui!
O piloto que está na nave viu tudo que aconteceu e pergunta:
— Senhor, será que devemos acionar o sinal Sith?
Porém, o sargento responde e o explica:
— Não, o plano não deu certo e não sabemos que é aquela aberração! Tenho que falar com as sombras antes.
Mas algo acontece, pois a aeronave começa a tremer e o piloto fala:
— Parece que algo está nos segurando!
Alarmes disparam devido à pressão que algo está fazendo e o sargento grita:
— Nos tire daqui agora!
O piloto aciona as câmeras e é possível ver Kairon segurando a nave com o poder da força. Com o braço estendido, ele força a nave para baixo; aparentemente está dando certo, porém um canhão de blaster surge, mira no guerreiro e dispara cinco vezes. Kairon é obrigado a soltar para a esquerda, as rajadas acertam o solo e a aeronave voa para o espaço. Kairon se levanta e vê a aeronave partir, em seguida olha para sua plantação e anda pela trilha que leva até a sua casa, porém para, se agacha com expressão de insatisfação. Liora, aos poucos, volta a si. Tudo que viu foi algo novo e desconexo. Olha para Kairon e vê sua preocupação com a plantação, e se sente culpada. Mesmo utilizando um sabre vermelho, ele a salvou, e isso a deixa mais confusa ainda. Mesmo assim, a Jedi anda pela trilha vagarosamente na direção do guerreiro que está agachado, separa algumas frutas, fazendo um montinho ali mesmo. Ao se aproximar, a Jedi lamenta:
— Eu sinto muito, é tudo minha culpa.
Kairon fica em silêncio e continua fazendo seu montinho de moimar. A Jedi insiste:
— Tudo isso é um grande mal-entendido. Se eu falar com minha tenente, posso explicar tudo para ela...
Porém, Kairon a interrompe, ficando de pé:
— Superior? Você não sabe o que está acontecendo mesmo, não é?
A Jedi olha confusa, ele estende o braço e aponta a palma da mão direita para sua casa, e um objeto faz um buraco na parede de barro seco, e Kairon o segura. Aquilo é uma espécie de holoprojetor, e, ao acioná-lo, busca alguma sintonia, e uma chama a atenção. Uma espécie de repórter fala do alto de uma torre em Coruscant:
— A Jedi acusada de ser a responsável pelo atentado que explodiu a aeronave ainda continua desaparecida. Em nota oficial, o exército de Coruscant informou que as buscas continuam, e, como não foi achado o corpo da Jedi, ela é a principal suspeita.
Ao ouvir isso, Liora se ajoelha, coloca as mãos no rosto e cai no chão. A Jedi coloca a cabeça na terra e chora, chora por pensar que uma grande guerra está próxima de acontecer, chora por ser acusada injustamente, chora, pois sempre foi uma Jedi correta, obediente a Nova República e a seu Clã Skywalker. Ao ver isso, Kairon desliga o holoprojetorà e não sabe o que dizer nesta situação, então apenas se vira e começa a andar para sua casa. Neste momento, Liora reflete:
— Não posso ficar aqui com pena de mim mesma, tenho que falar com a tenente Varenna, ela vai me ajudar, vamos evitar essa guerra.
A Jedi se levanta, enxuga as lágrimas e fala em tom mais alto para Kairon, que está um pouco distante, quase chegando à porta de sua casa:
— Eles vão voltar, e você será preso, pois destruiu vários andróides da Nova República. Porém, posso fazer com que ninguém volte a te incomodar ou pisar na sua plantação.
Kairon para, mas não esboça reação, e aproveita para pegar sua capa e capuz que estão no chão, e os veste. Liora continua:
— Você tem algum holoprojetor de comunicação? Ou uma aeronave? Se tiver uma nave, podemos ir até meu planeta Coruscant...
Mas, antes de completar, Kairon a interrompe novamente e questiona, estando de costas:
— Nave? Eu odeio naves...
Liora balança a cabeça negativamente, não entendendo muito bem, olha em volta sem saber o que fazer, porém Kairon responde:
— Alguns quilômetros daqui, tem uma nave...
Desta vez Liora o interrompe com entusiasmo:
— Isso é ótimo! Então, vamos lá!
Kairon, já com capa e capuz, começa a se aproximar e, ao chegar mais perto, pergunta:
— Minha plantação de volta? E mais ninguém de vocês aqui?
A Jedi confirma com a cabeça e estende a mão para demonstrar que um acordo pode ser feito e confirma:
— Sua plantação de volta. E ninguém mais vai te incomodar. Basta eu contar para minha superior tudo que fez para me ajudar, e que você não é um Sifh...
Liora está com a mão estendida e, com algumas dúvidas em mente, pergunta para confirmar:
— Não é, né?
Kairon olha para ela e para a mão, dá de costas e entra em sua casa. A Jedi abaixa a mão e comenta em tom baixo para si mesma:
— Que mal-educado...
Kairon começa a colocar algumas frutas na bolsa; Liora entra na sala principal e começa a colocar partes do seu uniforme, pega o sabre e o prende no cinto da cintura e o blaster o prende na perna. Kairon joga uma pequena bolsa no pé da Jedi e fala:
— Pegue algumas frutas; vamos precisar no caminho, pois é longe.
Ela obedece, começa a pegar algumas frutas para guardar na bolsa, aproveita e começa a comer uma delas, está quase acabando e pergunta:
— Como vamos até lá? Já que é longe.
Kairon, para por um instante, olha pela janela e vê sua plantação toda destruída e responde:
- De a pé.
A Jedi questiona:
— Não tem uma speeder biker? Algo do tipo?
Kairon responde seco:
— Não! Está sem combustível e quebrada.
Liora comenta baixo para si mesma:
— Estou perdida mesmo. No fim do mundo, sem nave, sem biker. Pelo menos tem essas frutas.
Ao terminar, o guerreiro vai aos fundos da casa e a Jedi o segue. Ambos estão com as bolsas colocadas no ombro. Ao sair nos fundos da casa, Liora vê um grande campo aberto, com toras cortadas e pedras destruídas. A Jedi percebe que aquilo é uma área de treinamento, por isso fica curiosa e pergunta:
— Você é um Jedi?
Kairon está pegando gravetos que estão no canto da casa e responde irritado:
— Não sou Jadi!
A Jedi anda até o meio do campo, balançando a cabeça negativamente, e fala consigo mesma:
— Essa caminhada vai ser longa.
Ela olha para depois do campo e vê uma extensa floresta fechada. Kairon coloca as coisas na porta e entra na casa novamente. Pelo barulho que houve, Liora acha que Kairon está fechando a casa, janelas e porta. Isso corta seu coração e reflete em pensamento:
— Parece que ele só quer viver em paz.
Uma lágrima escorre, Kairon aparece novamente e fecha a porta com correntes, em seguida coloca as chaves embaixo de uma pedra que fica na lateral esquerda da casa. A Jedi sorri de forma contida ao ver aquilo. Kairon, depois de esconder as chaves, pega suas duas bolsas e começa a adentrar na mata do lado contrário da sua casa e diz em voz alta:
— Vamos!
A Jedi ajeita sua bolsa e o segue para dentro da mata; não podem ficar muito ali, pois logo mais soldados irão aparecer.
Longe dali, no planeta Naboo, o Tenente Kier está furioso:
— O que disse? Como assim, alguém a protegeu?
Via holograma de comunicação, Krylos tenta explicar:
— Não sabemos quem é ainda, mas logo vamos saber. Já enviei uma mercenária para caçá-los. Você sabe se existe algum Sith por aquela região?
Kier responde com irritação:
— Claro que não tem Sith; se tivesse, eu saberia.
Krylos pergunta:
— Então, vamos acionar o sinal Sith?
O tenente fica pensativo por alguns segundos e orienta:
— Não, Jedis podem aparecer. Mesmo sendo controláveis, não é bom levantar suspeitas. Vou mandar uma equipe para o local. Quem achá-los primeiro termina o serviço.
Krylos confirma:
— Entendido.
O sinal é finalizado e Kier, que está em uma base militar em uma mata extensa, olha para sombras e pergunta:
- Ouviu?
Das sombras surge alguém trajando uma espécie de armadura, semelhante ao mandaloriano, mas não é um, também não é possível ver seu rosto, já que utiliza capacete. Porém, ao falar,— é possível perceber que é uma mulher, mesmo a voz sendo um pouco robótica, e comenta:
— A força vem se movendo silenciosamente; algo está acontecendo, não devemos subestimar isso.
Kier olha as imagens de alguém segurando a aeronave, utilizando supostamente a força, gira a poltrona, se levanta, anda até uma janela e, olhando para fora, comenta:
— Não me venha com essa conversa de força, Mondroniel, por favor. Veja no monitor, Krylos mandou as imagens.
Mondroviel anda até o monitor e o gira, para que a tela fique em sua visão, e observa a gravação. Ela não esboça nenhuma reação externa, mas internamente fica em espanto ao ver aquilo.
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